Em abril de 2023 fiz uma viagem que está na bucket list de muitas pessoas: Costa Amalfitana, Itália.
Para quem gosta de pizza, limões, paisagens bonitas e mar azul, este é o destino que combina tudo. Uma viagem perfeita, desde que se tenha paciência para as longas filas e tolerância para a sujidade e confusão de Nápoles (se a viagem passar por lá).
A meteorologia esteve a nosso favor quase todos os dias. Nos melhores dias tivemos 20-22ºC, que permitiram alguns banhos nas águas azuis (e não tão frias como as do Norte de Portugal, mesmo no Verão). No pior, comprámos um poncho por 3€ para proteger da chuva intensa. Apesar de podermos, sem dúvida, ter aproveitado um pouquinho mais a viagem se a tivéssemos feito no Verão, não acho que as desvantagens compensassem, de todo!
Mesmo em abril, as filas são intermináveis, o trânsito é caótico e os espaços estão cheios. Nada está preparado para receber tantas pessoas. As estradas são estreitas e não têm estacionamento. Os autocarros saem, por vezes, de meia em meia hora, o que obriga a várias meias horas de fila até se conseguir lugar num. Os ferries saem em função da meteorologia, e é preciso ir até ao porto para saber se vamos ter sorte ou não (yap, aconteceu).
Se qualquer uma destas coisas acontecesse no dia a dia, seria motivo para má disposição o dia todo. Mas, em férias e com boa companhia, são apenas percalços e peculiaridades do sítio que se está a visitar, que se transformam em histórias engraçadas para contar, meses e anos mais tarde.
Planeamento
Foi uma viagem em grupo de pessoas. O planeamento começou com algumas reuniões, meses antes, para traçar o plano geral da viagem, que ficou assim:
- Dia 1: viagem para Nápoles, ao final da tarde
- Dia 2: Passear em Sorrento
- Dia 3: Visita ao Vesúvio e a Pompeia
- Dia 4: Passear em Amalfi e Ravello
- Dia 5: Trilho “Sentiero degli Dei” e passear em Positano
- Dia 6: Passear em Capri
- Dia 7: Passear em Capri
- Dia 8: Passear em Nápoles
- Dia 9: Passear em Milão e regresso ao Porto
Aproveitamos o feriado do 25 de abril, e com 4 dias de férias conseguimos passear 9. Como regressámos no dia 30 de abril, ainda deu para descansar das férias no feriado de 1 de Maio, antes de regressar ao trabalho.

Os voos foram comprados em janeiro, quando definimos o destino de férias (três meses de antecedência). Voamos para Nápoles e, por questões logísticas (horário e escalas), optámos por regressar de Milão. Sei que vendo o mapa de Itália isto faz pouco sentido, mas permitiu riscar mais um item da minha bucket list, como veremos mais à frente. 😜
Ida e volta, ficou por 122 €/pessoa.

Os alojamentos foram marcados em março (1 mês de antecedência), quando definimos o roteiro com maior exatidão. Optámos por casas com cozinha sempre que possível, para podermos preparar refeições e porque, na minha opinião, é melhor ter espaços comuns para convívio, do que quartos separados de hotel. A gama de preços oscilou bastante, entre 26 e 75€/pessoa/noite.
Considerámos alugar carro, mas depois de começar a pesquisar e ler relatos de quem o tinha feito, descartamos a opção. Percebemos que existiam imensos transportes públicos entre os locais que queríamos visitar, e acabou por correr super bem. Depois de lá ter estado, posso confirmar que, apesar de todos os percalços dos transportes públicos, teria sido infinitamente pior ter carro para conduzir e estacionar.
Roteiro 📍
Os nove dias de férias foram passados da seguinte forma:
Dia 1 – Nápoles
Este foi o pior dia da viagem. Nápoles é uma cidade completamente diferente de todas as outras que já conheci em Itália. É suja. Suja do tipo: é difícil andar no passeio sem calcar papéis e outras coisas piores. As motas andam livremente por ruas pedonais e capacetes são objetos desconhecidos a quem por lá circula. Fomos recebidos por militares armados na zona da estação central, onde ficava o nosso hotel, o que leva a entender que também não será um local propriamente seguro.
Chegámos tarde, por volta das 23h, e queríamos encontrar um sítio em que ainda fosse possível jantar. A dada altura, enquanto percorríamos as ruas escuras, considerámos voltar para o alojamento e esquecer o jantar, porque na verdade tudo aquilo já nos tinha tirado um bocadinho apetite. Mas acabámos por encontrar um local aberto, com super bom aspeto, e fazer a nossa primeira refeição em Itália. Provámos umas massas típicas (15,83 €/pessoa).
A viagem do aeroporto para a zona central foi feita no autocarro Alibus, custa 5€ e demora cerca de 20 minutos. Os bilhetes foram comprados previamente, mas poderiam ter sido comprados a bordo.
Ficamos a dormir no Vesuvius Terminal (26€/pessoa). Um quarto único com WC, para 6 pessoas. Nada fancy, mas como a ideia era chegar tarde e sair cedo, serviu perfeitamente.
Dia 2 – Sorrento
A luz do sol trouxe melhorias significativas a Nápoles. Apesar de continuar tudo sujo, as ruas assustadoras e desertas da noite anterior apresentaram-se cheias de feirinhas, barraquinhas, e pessoas a circular por ali.
Depois de um pequeno-almoço num café próximo, incluído na tarifa do hotel, seguimos para a estação de comboio, para a deslocação até Sorrento (4,20€).
Quando chegamos à cidade fomos diretos até ao nosso alojamento, para fazer o check-in e deixar as malas.
O apartamento escolhido e marcado no Booking ficava a ~10 mins a pé da estação, num prédio residencial. Tivemos todo o tipo de imprevistos: não havia água quente no primeiro dia, porque se esqueceram de ligar o cilindro, acabou o gás, e tivemos de desenrascar um jantar fora, e estivemos um dia sem água, porque estavam a fazer obras no abastecimento. Não achámos piada nenhuma na altura, mas agora são só histórias mais ou menos engraçadas para contar 😅 Foi a nossa base durante 3 noites, e ficou por 222 €/pessoa (74€/noite).
Ao longo destes dias fizemos algumas compras de supermercado, que totalizaram 16€ por pessoa.
Aproveitámos o dia para explorar Sorrento. Uma cidade linda! Vale muito a pena passear pelas ruas e ver o pôr do sol.
Almoçámos no Frankie’s umas pizzas deliciosas, 14 €/pessoa e comemos um gelado – 2€.
Quando há boa visibilidade, a vista para o Vesúvio é incrível!





Por sugestão do nosso host, fizemos o caminho a pé até “Bagni Regina Giovanna”, um sítio excelente para banhos. A estrada é apertadinha e não tem passeios, mas faz-se bem.
Em alternativa, há um autocarro que se pode apanhar até lá.

Dia 3 – Vesuvio e Pompeia
Este dia começou com mais uma viagem de comboio, em direção ao Vesúvio. O bilhete custa 2,6 até Pompeia. Pagámos um na ida e outro no regresso.
Daí é necessário apanhar um autocarro e há todo um esquema para apanhar turistas. Vendem bilhetes por 20€ (não inclui a entrada), quando ao lado, mesmo em frente à estação, existem os autocarros normais da companhia EAV que fazem exatamente o mesmo percurso por 3,60 € (ida e volta).

Infelizmente não tenho fotos do vesúvio porque… não vi o vesúvio. Andei lá em cima, perto da beirinha da cratera, mas não via um palmo à minha frente por causa do nevoeiro.
Estava frio, a chover bastante, e o nevoeiro completamente cerrado. Ficamos um bocado desiludidos e considerámos regressar no sábado seguinte, mas os nossos planos saíram furados: fecharam as entradas precisamente nessa sábado, com medo dos festejos malucos do campeonato do Nápoles 😅
Na entrada do parque comprámos uns ponchos para nos proteger da chuva – 3€ cada.
A entrada no Vesúvio custou 11€. É muito, muito difícil encontrar o site oficial. Mais uma vez, é preciso desbravar no google todos os esquemas para enganar turistas. Não é mesmo nada, nada fácil encontrar o verdadeiro site oficial. Deixo aqui, para quem estiver interessado.
Regressámos ao nível do mar, onde o tempo estava espectacular (mesmo para gozar connosco). Almoçámos massa num restaurante próximo da entrada lateral de Pompeia, por 16 €/pessoa.
Depois de almoço fomos para a fila dos bilhetes de Pompeia. Mais uma vez preferimos ir para a fila oficial, porque todos os outros cobram taxas absurdas pela venda dos bilhetes. Ficou por 15 €/pessoa.
Menores de 25 anos pagam apenas 2€! É aproveitar, porque vale muuuito a pena!
Não sei do que estava à espera, mas não era desta grandiosidade. Que sítio incrível! Tivemos pena de não termos dedicado um dia inteiro ou, pelo menos, ter começado por ali. Não conseguimos explorar sequer metade!






Dia 4 – Amalfi
Este dia foi passado a conhecer Amalfi. O plano seria ir de ferry de Sorrento até lá mas, infelizmente, as condições marítimas não o permitiram (não sabemos porquê, porque o mar estava calmo e outros barcos estavam a circular). A alternativa foi regressar para a estação ferroviária e tentar apanhar um autocarro.
Comprámos um passe de 24h, que custa 10€ e permite fazer todas as viagens que se quiser nesse período.
É aqui que se começa a pensar como seria fazer esta viagem em agosto… Em abril, época média, estivemos mais de uma hora e meio à espera de vez no autocarro. Estes saem de meia em meia hora, e há uma fila de vários metros. À medida que os autocarros chegam, enchem até não caber mais ninguém. Quem fica de fora, aguarda para ver se tem sorte de caber no seguinte.
Felizmente tivemos a sorte de ir sentados, na nossa vez. A viagem, apesar de curta, demorou mais de duas horas. Horas para fazer 30 kms!
Além do trânsito, os condutores são muitas vezes forçados a esperar para passar, porque em muitos sítios só passa um carro de cada vez. Os condutores são top. Dadas as condições, ficamos admirados por não vermos nenhum acidente ahah


Almoçámos pizzas em Amalfi por 13 €/pessoa.
Depois de almoço, apanhámos um novo autocarro até Ravello. Esta cidade é super gira. Fica bem acima do mar e permite umas vistas deslumbrantes.
O tempo estava fresco por isso tomámos um Capuccino, para aquecer – 3,50 €.


Depois de horas de espera e de nos termos arrependido de não termos feito o caminho de regresso a Amalfi a pé (teria sido mais rápido e divertido), lá conseguimos entrar.
Em Amalfi, trocamos para um autocarro em direção a Sorrento, para regressar a casa.
Dia 5 – Sentiero Degli Dei + Positano
Este foi um dos dias mais esperados e acabou por ser o meu preferido!
Apanhámos o comboio para Castellamar (2,2 €) e depois um autocarro até ao início do trilho (2,2€).

O trilho é incrível! Sempre nas margens do mar, com vistas lindas. Percorremos todo o caminho desde o ponto assinalado acima até Positano (12 km).


Já em Positano, comemos umas deliciosas pizzas em frente ao mar (10€/pessoa).


O regresso foi feito de ferry (16€/pessoa).


Dia 6 – Anacapri
Depois de uma bela estadia em Sorrento, fizemos as malas e partimos para o porto dos ferries, em direção a Capri.
Apanhámos o funicular para a parte mais alta da cidade (2,2€) e fomos ao alojamento deixar as malas. A localização era óptima e os quartos bem simpáticos, com enormes varandas. Foi também marcado no Booking, e ficou por 75 €/pessoa.

Seguimos em direção ao terminal de comboios e comprámos o passo ilimitado até à meia noite (não 24h) por 7,5€. Não compensou. Acabámos por fazer apenas 2 viagens, por isso teria ficado mais barato comprá-las individualmente.
Fomos em direção a Anacapri e almoçámos umas sandes muito boas e bebidas por 6€. Passeámos pelas ruas, super giras, e depois subimos nas cestinhas até ao Monte Solaro (14€/pessoa). Não é barato mas vale a pena: a experiência das cadeiras é divertida e a vista lá de cima é incrível.



Estas ilhas têm um problema: são muito desniveladas, com grandes rochedos, e as praias começam a ficar com sombra muito cedo. Perguntámos então qual seria o melhor sítio para ver o por do sol e indicaram-nos o Faro di Punta Carena. Fomos e regressamos de autocarro (4,4 €, não estava incluído no bilhete diário que comprámos).
Valeu a pena! Apanhámos um solzinho e ainda vimos um casamento.




Jantamos massas deliciosas no restaurante Bucca de Baco (23 €/pessoa)
Dia 7 – Capri
Começámos o dia com um passeio de barco à volta da ilha (22€). Não tirei fotos, porque estava a apreciar a vista (e com medo que voasse borda fora).
Optamos por subir para Capri a pé, em vez de usar o funicular, e valeu a pena. É durinho, mas a vista para aquele mar turquesa com o Vesúvio no fundo compensa.

Fomos ao restaurante do dia anterior buscar pizza para take-away. O almoço ficou por 4€.
Visitámos os Giardini di Augusto (1,5€ que dá para pagar online), que são uns quantos m2 de jardins que se vêem em 2 minutos. Descobrimos depois que, subindo por umas escadinhas à direita do acesso aos jardins, temos acesso a uns jardins com menos gente, melhor vista e gratuitos.


Comemos os melhores gelados de sempre! Cada um custa uma pequena fortuna (6€ cada), mas vale muito a pena. O cone é feito na hora, ainda vem quente, e os sabores de gelado são deliciosos (Buonocore Gelateria).
Ao final do dia recolhemos as mochilas no alojamento e fomos para o funicular, para descer até à marina. Arrependemo-nos tarde demais: era melhor e mais rápido ter feito o percurso a pé com a bagagem do que ficar naquela fila apertada de pessoas (2,2 €).
Ao final do dia apanhámos o ferry em direção a Nápoles (22€).
Depois de uma grande caminhada do porto até ao alojamento (38,5€/pessoa), deixámos as coisas no quarto e fomos jantar ao Mc Donalds (10€). Mc Flurry de Pistachio? Tem!
Dia 8 – Nápoles
Depois de termos ficado mal impressionados com Nápoles e da tentativa falhada de regressar ao Vesúvio, as expectativas para este dia eram baixas. Mas foi bem divertido.
Passeámos pelas ruas da cidade, vimos mais um casamento e fizemos a tour Napoli Sotterranea (10€) – não é preciso comprar com antecedência, é só ir para a fila à hora que eles indicarem, pagar e entrar.
Foto dump do dia abaixo.





Almoçámos a pizza mais barata da viagem (8 €/pessoa). O jantar foi também em Nápoles, ficou por 15€ cada.
De noite partimos para uma aventura! A noite foi passado a bordo de um comboio, que nos levou durante a noite até Milão por 54 €/pessoa. Não foi a melhor noite da minha vida, mas foi uma experiência gira. Comprei as viagens com alguma antecedência no site da trenitalia.
Dia 9 – Milão
Acordámos em Milão, a mais de 800 km do dia anterior. O primeiro desafio foi encontrar um sítio onde deixar as malas. Os primeiros três estavam cheios, mas acabámos por conseguir um local relativamente perto da estação (7€/pessoa).
Almoçámos num 5 Guys (23€), pagámos 10€ para autocarro até ao aeroporto e mais 5,33 € de comida durante o dia.



Regressámos a casa ao final do dia.
Números 💰
Os custos totais da viagem foram de 940 €.
Analisando por categorias: 422 € foi alojamento (53 €/noite), 115 € em transporte, 201 € em alimentação e 80 € em entretenimento.

Conclusão
Adorei a viagem! Já passou tempo suficiente para que cada percalço seja apenas uma história engraçada na memória. Adoro Itália, adorei a companhia e adorei a viagem, no geral💜
Outras viagens deste blog que é de finanças (?)
Venha a próxima!