Ultimamente tenho visto algumas notícias do género da que deixo abaixo. Uma vez que posso ser considerada uma dessas finfluencers, dada a categoria dos temas que abordo aqui, vou partilhar a minha opinião sobre o assunto: como blogger e como consumidora de blogs de finanças.
Este também é um artigo de opinião. A minha opinião.

Link para artigo, no Jornal de Negócios.
A solução para a iliteracia financeira, apresentada neste artigo de opinião, passa por permanecer iliterado e recorrer aos serviços de aconselhamento financeiro de bancos e outras entidades financeiras autorizadas, ou dos chamados robot-advisors.
Isto pode ser muito bom (e ser a melhor opção para muitas pessoas), mas também pode apresentar vários problemas, como quem já navegou um pouco sobre o assunto pode saber:
- As pessoas que nos atendem no banco/outras entidades financeiras não estão necessariamente melhor informadas que nós;
- Em muitos casos, recebem comissões por recomendar determinados produtos em específico (lá se vai a transparência);
- A este serviço estão associadas comissões que podem perfeitamente anular qualquer retorno do investimento.

Blogs de finanças (como leitora)
Adoro blogs de finanças! Tenho uns preferidos que acompanho há cerca de quatro anos, e regularmente encontro novos com informação relevante para mim. São maioritariamente estrangeiros: americanos, canadianos, australianos.
Ainda bem que existe quem escreva sobre estes temas, porque foi a forma de ter encontrado o FIRE, os investimentos, e este novo mundo de possibilidades.
Se ficasse restrita ao que a CMVM autoriza, valida e incentiva, e ao que a escola e envolvência nos ensina, teria uns milhares de euros no PPR manhoso com comissões altíssimas que o gestor do meu banco me recomendou, e o resto a render o que os depósitos a prazo rendem.
Se os finfluencers que me apresentaram este mundo não existissem, eu iria continuar na minha ignorância, a achar que passar o dinheiro da conta à ordem para o depósito a prazo, ter débito direto de 50€ para o tal PPR, investir em casa própria e trabalhar até aos 67 anos, era o melhor que podia fazer por mim e pela minha situação financeira.
Nos comentários da partilha da notícia nas redes sociais, vi um comentário que dizia “os finfluencers aproveitam-se da iliteracia financeira do país para fazer dinheiro”.
“Aproveitar-se” dá conotação negativa, mas suponho que possa ser verdade. Da mesma forma que o padeiro se aproveita das pessoas que não sabem fazer pão, a escola de costura se aproveita dos que não sabem remendar roupa e os professores de música se aproveitam dos que não sabem tocar guitarra. Estou a ver isto do prisma errado ou é exatamente a mesma coisa?
Um blog em quem confio faz uma review de qualquer coisa, partilha um dado ou informação qualquer relevante, e ganha dinheiro com um link ou com os anúncios que vão aparecendo nas laterais da página. Está a fazer algo errado? Eu não o entendo assim.
E atenção, há motivos para acompanhar blogs desde 2019 e para só ter aberto outros apenas uma vez: chama-se bom senso e espírito crítico. Só voltamos e continuamos a ler as partilhas quando confiamos na pessoa. E só confiamos na pessoa, quando a informação que lemos até aí fez sentido. Um blog movido exclusivamente por motivações financeiras, que publicita tudo e mais alguma coisa, coisas boas e coisas más, rapidamente perde a minha atenção.
Se um determinado blog/pessoa que acompanho e que me acrescenta valor tem um link e ambos podemos ganhar com isso, não me faz o mínimo confusão. Aliás, faço questão de utilizar esse e não outra via qualquer, como forma de agradecimento e incentivo, para que continuo a partilhar conteúdos que gosto de ler.
Blogs de finanças (como autora de um)
Infelizmente, o que me apercebo é que não há interesse dos bancos e de todas essas entidades legítimas em fomentar a literacia financeira. Pessoas informadas são pessoas que leem as letras pequenas e começam a questionar e a negar certos produtos. São pessoas que começam a perceber que há alternativas melhores e mais baratas para investir o seu dinheiro. São pessoas menos dependentes e que começam a fazer as coisas de forma diferente.
Se banirem ou restringirem blogs de finanças em Portugal (não digo que não seja possível, já estive mais longe de acreditar nisso), abandono a escrita e volto a ser exclusivamente leitora dos que existem em países que não o condenam.
Gosto muito de escrever e gosto muito da comunidade que criei aqui. Percebi que não há muita informação para quem não gosta de ler em inglês, por isso uni uma coisa que gosto de fazer a algo que pode ser útil para essas pessoas, e comecei a escrever sobre o tema.
Se um dia este blog desaparecer ou mudar por completo o tema abordado, das duas uma: ou mudei interesses e deixou de me apetecer falar sobre o tema, ou fui banida da blogosfera. 🤐😅
Conclusão
Tenho literacia financeira por causa dos blogs que comecei a ler em 2019. Os blogs levaram-me a livros, a cursos, a podcasts, a eventos e a pessoas que de outra forma nunca teria conhecido.
O que sei hoje, não aprendi nos bancos, na escola, na faculdade, nem em campanhas de literacia financeira da CMVM. Aprendi com pessoas que sabem mais que eu e que dedicam o seu tempo a escrever sobre isso na internet.
O meu futuro como finfluencer é incerto, mas como leitora de blogs é mais que óbvio: continuarei assídua. 🔥
Os meus blogs preferidos
Sem nenhuma ordem especial:
Obrigada 🫶 sempre na mouche
😘🔥
Olá,
Concordo plenamente com o teu ponto de vista. A tua postura tanto no blog, na páginade instagram,no podcast, mostram a tua jornada. Os links que tens de parcerias, faz o clik quem quer. Nunca li em lado algum , escrito por ti “faço isto que vai ganhar milhões”.
Por isso gosto do teu trabalho, não te considero uma “finfluenecer”.
Mas pela Internet, existe muitos “finfluencers” que prometem que vamos chegar a valores astronómicos.
Já assisti a alguns webinares que falam um pouco sobre o tema e depois só querem vender um curso de 400/500€, que aí é que se vai aprender.
Acho que aí sim, devia existir um pouco de controle, apartir do momento que se começa a pesquisar sobre o tema essas publicidades aparecem por todo o lado.
Continua com a tua jornada, que irei continuar acompanhar 👌
Opa honestamente nem sei bem qual é a definição de “finfluencer”. O que sei é que o artigo diz que “a informação financeira vinda das redes sociais e dos finfluencers NUNCA é boa”, e com isso não posso concordar, de todo.
Lá está, foi graças a blogs que aprendi o que sei hoje e que descobri que posso reformar-me sem precisar da SS. Se me limitasse ao que nos contam por vias “oficiais”, continuava a achar que a roda do rato era o único caminho.
Mas concordo com o que dizes, como em todas as áreas há de tudo! Há quem vale a pena seguir, e há quem só vemos de passagem e não voltamos a abrir porque não vale a pena.
Mas essa seleção já depende de cada um, porque ninguém nos impinge nada e somos livres de seguir e ler quem quisermos.
Obrigada pela mensagem.
Continuamos fortes na jornada do FIRE 🔥
Excelente Artigo . Muito bom.
Obrigada! 🔥
Parabéns ! Obrigado pela partilha 🙌🏼
Obrigada eu 🙌🏼
Agradeço muito por partilhares os blogs que segues, Dama de Ouros!💛