PPR para 2025: A minha escolha e a estratégia por trás da decisão

Dezembro chegou e, com ele, uma tradição que se repete há vários anos: fazer o reforço anual do PPR. É um ritual que mantenho desde 2020 e que tenho partilhado aqui no blog, documentando a evolução da minha estratégia e as minhas escolhas ao longo do tempo.

O PPR é um produto de investimento para longo prazo e acredito que, se nada mudar, não há que inventar e escolher novos produtos todos os anos. A verdade é que, no meu caso, tem havido sempre novidades e este ano não é excepção. 😅

A minha “coleção” de PPR

Tenho um total de 10 902€ investidos em PPR. Investi 2000€ por ano (5 anos) e recebi neste período 2000€ em benefícios fiscais à entrada. O valor de cada fundo foi evoluindo, com altos e baixos, e tenho agora, à data de hoje, 902€ de mais-valias. Este valor está distribuído por:

  • 3357€ no NB PPR (2020): Este foi o meu primeiro PPR. Escolhi-o pela sua estabilidade, baixa volatilidade e longo historial (existe desde 1991). O seu perfil conservador, com 40% a 75% do fundo investido em obrigações, parecia-me ideal para o meu “Plano A”: usar o valor acumulado para, um dia, pagar as prestações de um crédito habitação.
  • 3483€ no PPR Stoik (2021): Sem perspetivas de comprar casa num futuro próximo, em 2021, decidi que queria adicionar uma opção com maior exposição a ações (até 75%) para tentar melhores rentabilidades. O PPR Stoik pareceu-me a escolha certa na altura, especialmente pela sua estrutura de comissões (1% fixo + 10% sobre os ganhos), que me pareceu mais vantajosa do que outras opções agressivas que analisei.
  • 4062€ no PPR Golden SGF ETF (2023 e 2024): Em 2023 surgiu um novo PPR no mercado, que captou de imediato a minha atenção. Tinha comissões de gestão baixas (dentro do que é normal nos PPR) e uma composição assente em ETF, o que está perfeitamente alinhado com a minha estratégia de investimento principal fora dos PPRs.

As mudanças de 2025

Quanta coisa mudou de 2024 para 2025 e de janeiro para dezembro do ano corrente! Há um ano trabalhava por conta de outrém, até novembro trabalhei por conta própria, em dezembro sou funcionária da minha própria empresa.

PPR é um dos benefícios que a empresa pode dar aos seus funcionários, e a forma mais simples de centralizar tudo é através do Coverflex, que é o que estou a fazer. Ora, no que toca a PPR há 4 opções:

  • Subscrever PPR Save & Grow da Casa de Investimentos
  • Subscrever PPR Ativo da Optimize
  • Subscrever PPR Digital da Real Vida
  • Subscrever outro PPR qualquer e submeter o reembolso

O que eu queria era voltar a subscrever o PPR Golden SGF ETF este ano. No entanto, se há algo que a Golden SGF tem de melhorar é o tempo de resposta e a automatização de processos. Neste momento, é tudo manual (temos de preencher uma folha de reforço e enviar por e-mail, junto com comprovativo) e, se continuar como em anos anteriores (ainda não testei), passam-se semanas sem termos uma confirmação ou um recibo.

Porque sou utilizadora Coverflex de primeira viagem e estamos em dezembro, não quis arriscar e decidi usar os 250€ disponibilizados pela empresa dentro duma das opções Coverflex.

CaracterísticaPPR Save & Grow (Casa de Investimentos)PPR Ativo (Optimize)PPR Digital (Real Vida)
Risco6/7 (alto, 100% ações)4/7 (moderado–dinâmico) (não indicado, mas normalmente baixo-moderado)
Comissões1,40% + 0,18%2% + 1,8% 0,75% no 1.º ano + 1,75% subscrição

Por exclusão de partes, a escolha foi óbvia:

❌ O da Optimize tem comissões altíssimas, não obrigada

❌ O PPR Digital é extra conservador, não faz sentido para um produto de longo prazo

Sobrou o PPR Save & Grow da Casa de Investimentos, e não fico nada mal servida!

  • 100% exposição a ações globais
  • Comissões de 1,4% de gestão e 0,18% de depósito. Não são as melhores que já vi, mas também não são proibitivas
  • Filosofia de “Investimento em Valor”: Esta é uma abordagem significativamente diferente da minha estratégia passiva de ETFs, que se baseia em “comprar o mercado todo”. O Save & Grow foca-se num conjunto limitado de empresas globais de alta qualidade, com vantagens competitivas fortes e geridas por profissionais.

Vou investir mais?

Não me posso comprometer com uma resposta a esta questão, porque nem eu sei bem. O mais provável é subscrever, sim, os 1750€ que faltam para poder poupar 400€ no IRS de 2025 (que vai ser um grande estouro e todos os bocadinhos ajudam). E se o fizer, será para reforçar o Golden SGF ETF, como tenho feito nos últimos anos.

A questão é… há muitas coisas que ainda tenho de pesar para conseguir responder a isto. Passei a faturar tudo através da empresa e recebo agora o salário mínimo, o que significa que tenho de voltar a aumentar o meu fundo de emergência. Vou lá buscar e depois reponho? Ou esqueço o PPR? Tic-tac-tic-tac! Vou ter de decidir em breve 😆

Investes em PPR? Se sim, já fizeste o teu reforço de 2025? Conta-me tudo!  👇🔥

Disclaimer: A autora do blog Dama de Ouros não fornece recomendações ou aconselhamento financeiro. Todo o conteúdo presente neste blog tem apenas fins informativos e educacionais, sendo qualquer decisão de investimento da responsabilidade do leitor.

29 thoughts on “PPR para 2025: A minha escolha e a estratégia por trás da decisão

  1. Alô
    Já tive PPR no SGF Doutor Finanças e era uma desgraça. Retiravam da conta dia 1 e ao dia 10 ainda não aparecia na conta PPR. Respostas aos e-mails zero. Atender chamadas igualmente zero. Mudei para save and Grow da Casa de Investimentos. Melhor decisão que podia ter tomado. Sempre disponíveis. Recebo mails com atualizações constantes da carteira e sua gestão. Bem como de webinars regulares com informações sobre o mercado.

    1. Hello!
      Eu nem necessito desses updates constantes – apesar de serem fixes – mas essa ausência de resposta que referes é mesmo muito chata. Há dias tentei ligar 3 vezes porque perdi a password da app e dizem que tens de ligar para um número e depois ninguém atende. É tudo manual e obviamente não têm pessoas suficientes para tratar de tudo.
      Obrigada pela partilha, vou dando feedback também!

  2. Subscrevi o Golden SGF Etf mais ou menos na mesma altura que tu e este ano em Maio subscrevi o Save & Grow da Casa de Investimentos. E sim, tens razão, o SGF ETF está atrasado no que diz respeito à digitalizaçao dos processos. Na Casa de Investimento é tudo mais simples e rápido.

    A Casa de Investimento tem um programa CFW para empresas e onde parte do ordenado é alocado no PPR dando assim benefícios fiscais. Tenho pensado sobre isso mas ainda não tive coragem para avançar. É sobre isto que se trata o Coverflex? Não sei o que é, nunca tinha ouvido falar…

    1. Hello!
      Sim, muito atrasado mesmo! O processo na Save & Grow foi super rápido, mesmo abrir conta e validar identificação e tudo isso.
      O Coverflex é um agregador de benefícios que empresas podem dar a funcionários. Junta subsídio de alimentação em cartão, PPR, ginásio, vale infância, dá também para fazer seguro de saúde e ficar lá incorporado, etc. Vale a pena explorar! É claro que dá para fazer tudo isto a nível individual (há uma anuidade Coverflex), mas o facto de ser um processo simples para a empresa e para os colaboradores é muito fixe, e fica tudo num só local

  3. Olá Olá. Mudei o ano passado o meu PPR que estava há mais de 20 anos (I know) no BPI com rentabilidades miseráveis para a Casa de Investimentos e estou super satisfeita com o cuidado que eles têm ao cliente. É o PPR que uso para deduções fiscais, este ano coloquei o valor para ter a dedução máxima dos 50+.
    A empresa onde trabalho desbloqueou um valor de benefício que pode ser aplicado no fundo PPR que o BPI gere para a empresa (valores miseráveis de rentabilidade mas coloco 2% do meu ordenado e a empresa coloca 2+1, ou seja, fico sempre a ganhar) ou podemos colocar no PPR Optimize. Escolhi essa opção e terei esse PPR apenas para efeitos de investimento. Espero usa-lo daqui uns 5 anos para abater algum valor ao crédito à habitação. Ainda não tenho feedback desse pq ainda não fui contactada para o abrir.

    1. Hello!

      Nesse caso incrível ganhas logo à partida 100% pela “oferta” da tua empresa, muito fixe!
      E olha, os da Optimize até acabam por ter na mesma bons resultados, após deduzidas as comissões, por isso também não ficas mal servida.
      Beijinhos

  4. Olá!
    Uma sugestão: a tua empresa pode pagar-te o investimento no PPR (qualifica como rendimento do trabalho, mas não tem contribuições para a Segurança Social e podes beneficiar da dedução no IRS).
    Obrigada!

  5. Olá
    Será o mesmo PPR via Coverflex que irei subscrever no próximo ano, a minha empresa ainda dá um bónus de 23,75% sobre a escolha de qualquer PPR como benefício no final do ano.

  6. Bom dia.
    O PPR da Optimize tem uma gestão global de 1.8% e não de 2% + 1.8% (3.8%) como esta referido.
    Já agora para o ano essa comissão vai ser alterada para 1.4%.

    1. Hello!

      Esses 2% existem, são a comissão de subscrição, tanto no investimento inicial e reforços, que é devolvido mais tarde, como investimento, se não houver resgate antecipado nos primeiros 12 meses.
      Quando for alterado volta a analisar-se, neste momento é altíssima eheh

        1. Certo, a questão aqui é que tinha de escolher uma daquelas 3 opções dentro do Coverflex e as condições neste caso são as que apresentei.
          Se não tivermos estas limitações, podemos e devemos procurar o intermediário que garanta menores custos! 🙏

  7. Em alternativa existem os fundos de pensões (por exemplo da BPI), com os mesmos benefícios de IRS e que para além disso permitem escolher pagamento de rendas vitalização na reforma.

    1. Oii!

      Mudei do Stoik para o Golden SGF por causa das comissões. O Stoik tinha uma parte variável (analisei aqui) além do 1% e o Golden SGF ETF surgiu apenas com o 1%, bem mais transparente e fácil de comparar.
      A 15 de Outubro o Stoik retirou essa componente variável, mas mantenho a decisão de alocar o investimento ao Golden, porque na verdade está bem alinhado com aquilo que faço extra PPR – gestão passiva e esperar.
      Mas obviamente também acho um bom produto, por isso o tenho na carteira!

  8. Atenção que, pelo que estive a investigar, caso seja a empresa a pagar o PPR, não é possível deduzir os 400€ (ou outro valor, dependendo da idade) no IRS. Essa dedução apenas pode ser feita no caso de ser o colaborador a constituir o PPR com o resultado do seu vencimento, já previamente tributado em sede de IRS.

    1. Hello!
      Sim, isso é verdade e está salvaguardado neste caso. O PPR é um benefício que vem na folha de rendimento e está em nome do funcionário, e é devidamente tributado. É precisamente assim que acontece fazendo desta forma, através da Coverflex

  9. O PPR Golden SGF ETF PLUS ( como se chama agora) está muito mais funcional ( sou investidor desde a sua existência) e só é necessário enviar para o link apropriado , preencher nele o nome, NIF e n° do contrato, e já está. É verdade que demora a confirmar a validação, mas é apenas resultante das dores do crescimento.
    Já agora,o PPR Stoik não é tão rentável como há anos…

  10. Boa tarde.

    Gostaria de partilhar a minha análise sobre a subscrição de PPRs focada estritamente no benefício fiscal à entrada. Segundo os meus cálculos, e comparando com o retorno histórico do S&P 500, a vantagem fiscal do PPR dilui-se face à menor rentabilidade do produto num horizonte temporal superior a 10 anos.

    Desta forma, a estratégia mais eficiente seria iniciar o investimento em PPRs apenas aos 50 anos, visando o levantamento aos 60 (cumprindo as regras atuais). Para quem planeia atingir o FIRE (Independência Financeira) antes dessa idade, o meu conselho é investir diretamente num ETF diversificado. A longo prazo, a ‘gordura’ do benefício fiscal acaba por ser ultrapassada pelo maior potencial de valorização dos ETFs, tornando o PPR comparativamente menos rentável.

    Cumprimentos.

  11. Ola. Com um dinheiro extra que não estava a contar, resolvi desbloquear alguns objectivos que estavam a marinar há alguns amos. Investi no reforço de alguns ETFs e fiz (finalmente) o tão almejado PPR. A escolha recaiu no Save and Grow. Ainda não sei se o vou utilizá-lo como beneficio à entrada no IRS (so fazendo a simulação), mas caso não aconteça, fico com uma “boa conta a prazo” que mobilizo passados 8 anos e retenção de apenas 8,6% do que renda. A ver.

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