Estás a pagar para trabalhar? – Versão “casados” com filho(s) na creche

Há uns dias coloquei uma questão no instagram: quanto pagas pela creche dos teus filhos?

Recebi 131 respostas. Destes dados conclui-se que o valor mais comum é pagar 243 a 322 € (45 respostas), seguido de 322 a 401 € (25 respostas). A média das respostas foi 305 €.

As respostas foram assustadoras!

Se quiseres ver todas as respostas, descarrega aqui o ficheiro 👇

Pagas para trabalhar?

No último artigo do blog, deixei a minha reflexão relativa ao valor que realmente recebemos por cada hora dedicada ao trabalho, tendo em consideração todas as despesas que advêm desse emprego.

Deixei nesse artigo um ficheiro Excel preparado para fazer as contas necessárias para chegar ao valor real líquido, valor que acho crucial para saber quanto estamos realmente a receber por cada hora dedicada ao trabalho. É extremamente útil para decidir entre duas ofertas de emprego com condições distintas ou entre trabalhar horas extra no emprego ou dedicar-se a outros projetos que possam ser melhor remunerados.

Este tipo de reflexão faz também todo o sentido para um casal, principalmente quando os salários são bastante diferentes e/ou quando têm filho(s) a frequentar a creche.

Exemplo para análise

Quando vejo valores de creche de 400, 500, 600 €, só penso: será que vale mesmo a pena trabalhar assim? Não estaremos a ganhar apenas o suficiente para alguém tomar conta dos nossos filhos, arrumar a nossa casa e cozinhar a nossa comida?

Deixo aqui um exemplo com o objetivo de abrir os nossos olhos a outras possibilidades. Acredito que os valores não sejam completamente descabidos: são ordenados “normais” e, pela sondagem que fiz recentemente, também o valor da creche é realista.

Situação atual: ambos trabalham e têm um filho na creche

Este casal tem um filho a frequentar uma creche, com um custo mensal de 300 €. Um deles recebe 1400 €, demora uma hora a chegar ao trabalho e fica em média uma hora a mais todos os dias. O outro recebe 800 €, demora apenas 20 minutos a chegar ao trabalho e normalmente fica apenas 15 minutos extra para organizar o dia seguinte.

Este casal pede take-away 2 vezes por semana (100 €/mês) e, consequentemente, no dia seguinte ambos almoçam no restaurante perto da empresa porque não prepararam marmita (80 €/mês). Têm o auxílio de uma empresa de limpeza para as arrumações da casa uma vez por semana (40 €/mês).

Outras despesas que ambos têm são roupas específicas para o trabalho (60 €/mês) e escapadinhas e massagens ocasionais para fugir ao stress (oscila mensalmente, mas a média é de 40 €/mês).

Tendo em conta todos valores referidos para este casal, o valor líquido que cada um recebe por mês – após descontar despesas associadas ao trabalho – é 569 € e 310 €, respetivamente. O valor líquido disponível do agregado familiar é de 879 €/mês.

Situação possível: um continua a trabalhar, o outro fica com o filho

O que acontece aos rendimentos e despesas deste casal se um deles, neste caso o que tem o ordenado inferior, deixar de trabalhar e ficar em casa com o filho?

As despesas associadas ao trabalho da pessoa B desaparecem, assim como algumas despesas que eram comuns ao casal por falta de tempo da parte de ambos: creche, auxílio na arrumação e limpeza, take-away e os almoços em dias de trabalho por falta de preparação da marmita.

Atenção: não digo que deixam de comer take-away ou de jantar fora. Aqui considero apenas que se eliminam aqueles pedidos de uma-comida-qualquer-porque-temos-de-comer-e-não-há-tempo-para-cozinhar.

O que acontece neste caso é surpreendente:

  • O ordenado mensal bruto do agregado familiar passa de 2200 € para 1400 € – menos 36%
  • As despesas associadas ao trabalho reduzem de 820 € para 220 € – menos 73%
  • O valor líquido aumenta de 879 € para 901 € – mais 2,5%

Consegues ver o que acabou de acontecer aqui? Com apenas um dos membros do casal a trabalhar, o valor líquido do emprego é superior.

Conclusão

Claro que cada caso é um caso e não é objetivo deste artigo que amanhã metade do país vá a correr entregar a carta de despedimento.

Apresento-te apenas uma outra perspetiva que merece ser analisada e considerada. Os teus valores podem dar resultados completamente opostos ou podem resultar em conclusões semelhantes e mesmo assim não quereres abdicar do teu trabalho para te dedicares a outro com possivelmente mais horas laborais e responsabilidade. A vida não é só matemática 😜

Se estás nesta situação (casal com filhos) faz as tuas contas e diz-me o resultado. Estou super curiosa por saber como isto funciona de facto com valores reais! Descarrega aqui o ficheiro 👇

Disclaimer: A autora do blog Dama de Ouros não fornece recomendações ou aconselhamento financeiro. Todo o conteúdo presente neste blog tem apenas fins informativos e educacionais, sendo qualquer decisão de investimento da responsabilidade do leitor.

4 thoughts on “Estás a pagar para trabalhar? – Versão “casados” com filho(s) na creche

  1. Sou mãe de 3: 11, 9 e 1 ano.
    Deixei o meu trabalho em julho para me dedicar à família. A decisão foi ponderada, mas o que mais pesou foi mesmo isto: trabalhar para outros educarem os meus filhos… Não me arrependo, mesmo com a creche gratuita e com todo o trabalho que dá.
    Foi a melhor escolha!
    Claro que o meu marido também apioa!

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