Costa Rica 2026: Roteiro e números

Em fevereiro fiz uma daquelas viagens sacadas da bucket list: Costa Rica! 🦥

Neste artigo detalho o roteiro e custos desta segunda viagem de 2 semanas da minha vida (a primeira foi no ano passado, à Califórnia).

Planeamento

A Costa Rica, apesar de pequena, tem imensa coisa a explorar e conhecer e, ainda que 15 dias sejam imenso, é impossível conhecer tudo, por isso o primeiro passo, depois de termos comprado os voos, foi definir o roteiro. Da pesquisa feita concluímos também que todas as atividades são pagas (e caras), por isso tivemos também de escolher o que iríamos fazer e o que iríamos deixar de lado, dentro das opções disponíveis.

Alojamento

Teríamos 13 noites para distribuir pelas cidades a visitar, e várias coisas para ver e kilómetros para percorrer também. A distribuição de noites, depois de várias tentativas de roteiro, acabou por ficar assim:

CidadeNº de noitesPreço/noite/pessoa
San José120 €
Cahuita254 €
La Fortuna331 €
Monteverde232 €
Manuel António242 €
Matapalo265 €
Jacó144 €
Total13542 €/pessoa

A média ficou em ~42 €/noite/pessoa. Dada a proximidade da selva e a situação geral totalmente diferente daquela a que estamos habituados, optámos por ficar em hotéis com receção. 😅 Habitualmente prefiro Airbnb com cozinha, para poder fazer parte das refeições em casa, mas esta foi uma situação especial. Olhando para trás percebo que poderíamos, na boa, ter ficado em Airbnbs, mas também não faria diferente porque correu tudo super bem.

Carro

Existe a possibilidade de contratar transfers entre cidades, mas têm um custo de ~50 €/pessoa e apenas ligam as cidades principais. Como queríamos explorar vários locais fora dessas rotas, fez muito mais sentido alugar carro.

Li em vários blogues que o ideal seria ter um 4×4. Mas também li noutros que, na época seca e seguindo pelas estradas principais, não é necessário. Optámos por um carro normal, que ficava cerca de 800 € mais barato, e foi uma boa decisão! As estradas principais são em alcatrão e só em duas ocasiões, para chegar a atividades, tivemos de andar em terra batida. Não são a coisa mais confortável do mundo, mas em momento algum ficámos com medo de ficar presos.

Fizemos a reserva pelo Booking com a empresa Budget (com desconto por já ter alojamento reservado na plataforma), cerca de um mês antes. Levantamento e devolução no aeroporto, apanhando um transfer gratuito que todos os rent-a-car têm.

Sobre os seguros do carro: tinha lido histórias de terror nos blogues. Valores a dobrar no balcão, coberturas “obrigatórias” que afinal não são… Por isso fiz pesquisa antes de chegar lá: mandei e-mails para a empresa a perguntar especificamente quais as coberturas, os valores e quais eram de facto obrigatórias (spoiler: nenhuma é legalmente obrigatória).

No balcão as opções foram ~400 € pela base ou ~800 € pela total. Estávamos só a conversar sobre qual fazia mais sentido quando o funcionário, sem que tivéssemos pedido nada, se ofereceu para nos dar a cobertura total pelo preço da mais baixa. Aceitámos os 408 € extra por cobertura total, incluindo condutor adicional, o que foi super útil porque pudemos ir conduzindo à vez durante toda a viagem.

A entrega também foi simples: uma vista rápida ao carro, uma assinatura, e 5 minutos depois estávamos no transfer para o aeroporto.

No total, aluguer de carro para os 13 dias ficou por 420 €/pessoa.

Seguros de saúde

Estando fora da Europa, 1) estamos expostos a ambientes a que o nosso corpo não está habituado, por isso a probabilidade de azares aumenta e 2) não temos cartão europeu de saúde. Por isso, sempre que viajo para fora da Europa é obrigatório fazer cartão de saúde.

Usei a IATI*, tal como tinha feito nos EUA. Optámos pelo plano básico para os 14 dias, com cobertura de 150.000 € em despesas de saúde, que ficou por 55 €/pessoa.

Até 29 de março a IATI dá 15% de desconto nos seguros feitos com link. Os 5% habituais +10% de oferta. (link aqui*)

Voos

Os voos custaram 650€ por pessoa, com escala em Madrid, ambos operados pela Iberia. Como sempre, a viagem fez-se bem. Filmes recentes, espaço aceitável e comida que cumpria, dentro dos possíveis.

E-sim

Tratámos do acesso à internet ainda em Portugal. Comprámos 1 e-sim da Holafly* – eu tinha o cartão instalado e partilhava dados como hotspot. Ficou a 21 €/pessoa.

Dinheiro

A Costa Rica tem uma moeda diferente da nossa, por isso os cartões normais e euros que temos na carteira não servem. Escrevi um artigo detalhado sobre a gestão do dinheiro, está aqui.


Roteiro 📍

San José

Aterramos no final do dia, ficámos num hotel a ~40 minutos do aeroporto e foi basicamente tomar banho e dormir. Não queríamos conduzir muito no primeiro dia, por isso acabou por ser a solução perfeita.

Cahuita

Começámos o dia com o primeiro pequeno-almoço costa-riquenho (delicioso!) e seguimos para Cahuita. A viagem passou por uma cordilheira perto do Parque Braulio Carrillo que nos deixou logo meio nervosos, para começar: havia tanto nevoeiro que não se via nada à frente. À medida que fomos descendo, o nevoeiro desapareceu e a temperatura começou a subir.

Nesta primeira viagem de carro tivemos também a primeira prova da simpatia extrema dos ticos: passámos por uma portagem que só aceitava dinheiro, e nós ainda não tínhamos levantado ainda. Estávamos a perguntar se podíamos dar a volta quando um senhor ali ao lado nos deu o dinheiro sem pensar duas vezes. Muchas gracias! 😁

Cahuita é uma vila pequenininha e super gira. Deixámos o carro no hotel e fomos a pé à vila almoçar enquanto fazíamos horas para o check-in. Durante a estadia explorámos tudo a pé: fizemos snorkeling, visitámos o parque nacional (entrada simbólica de 2€), e aproveitámos o horário trocado para nadar na praia ao nascer do sol. No domingo ainda apanhámos um bocadinho de um jogo de futebol entre duas equipas locais, no campo mesmo ao lado do hotel.

Foi o sítio perfeito para começar esta aventura!

La Fortuna

La Fortuna é a base para explorar a zona do vulcão Arenal. Ficámos três noites e há muito para explorar e decidir aqui. Dividimos os dois dias completos entre as seguintes atividades:

Cascata La Fortuna – É linda, disso não há dúvida. Mas não vale, na minha opinião, os 17 € por pessoa. A experiência consiste em descer ~500 degraus, ver a base da cascata e tentar nadar (tentámos, mas estava tanta gente e a água tão fria que não valeu o desconforto). Estivemos lá uns 10 minutos e regressámos pelas mesmas 500 escadas, agora a subir.

El Salto – Seguimos para este tesouro gratuito, que reforçou ainda mais o desperdício de dinheiro da atividade anterior. É um rio que os locais usam, com uma corda para saltar para a água. Custou-nos 1000 colones de propina para o arrumador (2 €) e foi uma das experiências mais giras da viagem.

Mirador El Silencio – Mais uma vez, ainda no mesmo dia, pagámos aqui metade do que pagámos na cascata e valeu muito mais. É uma reserva privada com trilhos bem diversificados: selva, campo aberto com animais e quintas, e um troço sobre lava do vulcão.

Termas – Compramos ainda em Portugal no GetYourGuide. Fomos com ideia de ficar uma hora e ficámos até bem depois de anoitecer. A água é extremamente quente, mas há chuveiros frios para equilibrar. Depois de um dia com muitos quilómetros nas pernas, soube mesmo muito bem.

Parque Nacional do Vulcão Arenal – No segundo dia começámos a explorar o parque no setor Península, que não tem praticamente ninguém (estrada de 2 km em gravilha cheia de buracos para lá chegar). Depois de um almoço em “casa”, de tarde voltámos para mais uns trilhos no setor Vulcão. O bilhete de 15 dólares dá acesso às duas partes, que não têm ligação entre si, por isso é preciso sair e ir de carro até à entrada seguinte.

Para fechar o segundo dia, fomos ao Rio Quente Tabacón – mais um sítio que os locais usam e que é gratuito. O estacionamento junto à estrada custa 5000 colones (~10 €), mais uma propina para o “arrumador”. A água não é tão quente como nas termas, mas é mais uma experiência gira.

Monteverde

Aqui fui completamente induzida em erro pelos blogues. “Monteverde é frio”, “leva roupa quente e impermeável”. Resultado: nem filtrei por AC na pesquisa de alojamentos, e enchi a mala de calças e camisolas de manga comprida.

Qual não foi o meu espanto quando chegámos e estava tanto calor como em qualquer outro sítio da viagem. Whaaat! 😅 A conclusão é: está frio, sim, mas só no topo das montanhas. O AC no alojamento continua a ser bom, e os impermeáveis são para os momentos em que se está acima das nuvens, não para a vila toda.

No primeiro dia fizemos o Trilho Cerro Amigos: 2 km de subida com 20% de inclinação e regresso pelo mesmo caminho. Estava bastante calor no início e algum frio no topo, onde ficam as torres de comunicação. Não fomos preparados para o “frio”, mas também não passamos muito mal. A roupa secou e até soube bem, à medida que a temperatura foi subindo na descida.

No dia seguinte, seguimos para o Selvatura Park para o percurso em pontes suspensas. É caro, mas é uma experiência completamente diferente de tudo o que já vi, por isso valeu a pena. Daqui seguimos para o Café Colibrí, que faz um bocadinho de batota para nos deixar ver os beija-flores: têm bebedouros de néctar onde eles pousam para comer, e assim conseguimos vê-los e fotografá-los de perto.

Aproveitámos também dois trilhos marcados no AllTrails dentro de propriedades de hotéis, bem sinalizados, em que vimos imensas espécies de animais. Antes de regressar ao alojamento, passámos pela vila para comprar hambúrgueres e pão para o jantar e almoço do dia seguinte.

Foi em Monteverde que lavamos roupa: 5,20 € por um saco entregue no dia de chegada, devolvido lavado e dobrado no dia seguinte.

Manuel António

Assim que chegámos percebemos que tínhamos tomado uma excelente decisão ao escolher um hotel mesmo junto à entrada do parque. A estrada principal é estreita, cheia de confusão, e há pessoas a chamar de todo o lado para “parques oficiais”. Ficámos estacionados durante toda a estadia e não voltámos a pensar no assunto.

Chegámos antes do check-in (o Porto voltava a jogar), por isso aproveitámos a piscina enquanto esperávamos, e almoçámos os hambúrgueres que tínhamos preparado no dia anterior em Monteverde.

Parque Nacional Manuel António – A fila é enorme, mesmo com bilhetes comprados previamente com hora marcada. Muito do tempo perde-se no processo de entrada: somos revistados a sério, com tudo a sair das mochilas para confirmarem que não entram sprays, plásticos ou comida. Cerca de 50 minutos depois de entrar na fila, entrámos finalmente no parque.

Vale completamente a espera! Vimos imensos animais, fizemos os trilhos antes do almoço, almoçámos no único local de restauração dentro do parque, e passámos a tarde na praia até às 15h – hora obrigatória de saída. A praia do parque é a melhor em que já estive na vida, de longe!

Uma dica útil: à terça-feira o parque está fechado. A confusão desaparece por completo: não há ninguém na rua, não há carros, a maioria dos restaurantes está fechada. Foi o dia em que saímos de Manuel António: fomos à praia até às 10h, regressámos ao hotel para o pequeno-almoço e check-out, ficámos mais um pouco na piscina, e saímos sem qualquer confusão na estrada, o que acabou por correr bastante bem.

Matapalo

Dois dias numa praia deserta e linda, num hotel mesmo na beira-mar. No segundo dia fomos de manhã a Uvita saltar para cascatas (4 €) e regressámos para almoçar em casa e aproveitar o resto do dia na praia até anoitecer.

No dia do check-out continuámos na praia. Almoçámos uma pizza em takeaway de um restaurante próximo, a acompanhar mais um jogo do clube. 😅

Jacó

A última noite da viagem. Piscina, descanso, e no dia seguinte seguimos para San José para entregar o carro e apanhar o voo.


Números 💰

Os custos por pessoa, divididos por categoria, foram:

CategoriaTotal/pessoa
Transporte1.130,67 €
Alojamento554,16 €
Atividades200 €
Restaurantes125,42 €
Outros79,02 €
Supermercado52,76 €
Total2.142€
Custos totais de 2 semanas na Costa Rica

No que toca a atividades, este valor divide-se em:

AtividadeZona€/pessoa
Selvatura Park (pontes suspensas)Monteverde51,99
SnorkelingCahuita48,88
TermasLa Fortuna39,59
Cascata La FortunaLa Fortuna17,22
Parque Nacional Vulcão ArenalLa Fortuna14,64
Mirador El SilencioLa Fortuna8,67
Parque nacional Manuel AntonioManuel Antonio15,00
Cascata Escorrega UvitaMatapalo4,00
Total atividades200€

Esta é daquelas categorias em que se pode gastar muito menos ou muito mais. Se quisermos fazer tudo, facilmente gastamos 100€ por dia. Se viajarmos com um budget, há que priorizar e decidir, dentro das opções disponíveis, de quais vamos gostar mais.


Conclusão

O custo total da viagem à Costa Rica ficou por 2142 €/pessoa. É um país caro, principalmente pelas atividades e pelo facto de praticamente tudo ser pago. Ainda assim, valeu cada cêntimo!

O que faria diferente: trocava a cascata La Fortuna por qualquer outra coisa. E reservava alojamento com AC em Monteverde – não é opcional, independentemente do que os blogues digam. 😅

Assim de modo resumidinho, foi isto. Se tiveres ficado com alguma dúvida ou algo que gostasses que detalhasse melhor, deixa nos comentários. 🙌

Venha a próxima!

Perguntas frequentes sobre a Costa Rica

Preciso de 4×4 na Costa Rica?

Na época seca e nas estradas principais, não é necessário. Um carro normal chega para fazer o roteiro descrito neste artigo. Poupei cerca de 800 € ao não alugar 4×4 e não me arrependi.

Quanto custa uma viagem de 15 dias à Costa Rica partindo de Portugal?

Com voos, alojamento, carro, atividades e alimentação, é possível fazer a viagem com 2.000 a 2.200 €/pessoa. Podem ser valores diferentes, tudo depende do que se escolher fazer por lá.

É seguro alugar carro na Costa Rica?

Sim, e acrescenta muito à experiência. Ficamos com liberdade para explorar locais diferentes, sem estar sujeitos a transfers ou tours. As estradas são boas.

Qual a melhor época para visitar a Costa Rica?

A época seca vai de dezembro a abril, foi quando fizemos a viagem e as condições foram excelentes. As temperaturas não mudam muito ao longo do ano, por isso a principal diferença tem mesmo a ver com a chuva, que consequentemente pode afetar as condições das estradas de terra.

É necessário seguro de saúde na Costa Rica?

Sim, eu acho prudente. Fora da Europa não há acesso ao Cartão Europeu de Seguro de Doença, e os custos de saúde locais podem ser elevados.


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Seguro de viagem: IATI* Aluguer de carro: Booking/Budget E-sim: Holafly*

2 thoughts on “Costa Rica 2026: Roteiro e números

  1. Excelente resumo! Vai-me ser muito útil num futuro próximo. Podes partilhar como fizeste os pagamentos e que moeda compensa levar?
    Obrigada.

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