Cartão de débito na Costa Rica: como gerir o dinheiro sem pagar taxas (2026)

Depois de publicar o roteiro e números da viagem à Costa Rica, recebi uma mensagem a pedir para falar especificamente sobre a gestão do dinheiro: se levei comigo, como levantei, se usei colones ou dólares, e se tive custos com câmbio.

É uma boa pergunta e a resposta não é óbvia, porque a Costa Rica tem algumas particularidades em relação a outros destinos. A resposta curta é: usei o cartão da Trade Republic para pagar tudo e só levantei dinheiro lá. Mas há aqui várias nuances, por isso vamos à análise detalhada.

Este artigo é patrocinado pela Trade Republic.

O contexto: moeda na Costa Rica

A Costa Rica tem moeda própria – o colone costa-riquenho (CRC), mas a verdade é que o dólar americano é aceite em praticamente todo o lado. Muitos preços estão até apresentados em dólares, principalmente nas atividades turísticas. Nas caixas de multibanco podemos decidir levantar o dinheiro em qualquer uma das moedas.

Por isso, se tens dólares em casa de outras viagens, podes levar contigo porque poderás gastar por lá. Tirando isso, e dando a resposta curta à pergunta: poderás usar cartão para quase tudo, e deixar os levantamentos em colones/dólares para a viagem, necessários em algumas exceções.

A conversão

Nos primeiros dias de uma moeda diferente é sempre meio complicado compreender os preços, mas aqui encontramos uma regra rápida que nos ajudou a ter uma noção: multiplicar por 2 e dividir por 1000. Ou seja:

  • 1000 colones = 2€
  • 5000 colones = 10€
  • 100.000 colones = 200€

Não é exatamente este o câmbio (na verdade, 1000 colones = 1,87€), mas já dá uma aproximação boa o suficiente para se perceber quanto estamos a gastar sem andar de calculadora.

O preço das coisas

A Costa Rica surpreende em termos de preços. O primeiro impacto, tanto na pesquisa como nos primeiros dias lá, é que é tudo super caro! Depois de se perceber os truques e funcionamento, acaba por se conseguir gastar valores bastante razoáveis.

A comida local é barata. Nas sodas (os restaurantes que os locais frequentam), um prato completo com arroz, feijão, carne e salada sai por ~5.000 CRC (9€). Num dia em que pensámos comprar queijo, fiambre e pão no supermercado para fazer sandes e poupar no almoço, chegámos à conclusão que ficaria ao mesmo preço (ou apenas um pouco mais barato) do que comer numa soda.

O que é caro: produtos importados e processados. Queijo, enchidos, produtos de marca e basicamente tudo o que não é produzido localmente tem preços altíssimos. A água engarrafada é surpreendentemente cara, mais cara do que uma Coca-Cola ou qualquer outro refrigerante! Percebemos que eles têm políticas sérias anti-plástico e elevados custos de distribuição. Isto, e o facto de a água da torneira ser potável em praticamente todo o país, faz com que comprar água em garrafas seja um luxo desnecessário. O ideal é levar uma garrafa reutilizável e encher nos hotéis e restaurantes. Também nos restaurantes, pedir um copo de água da torneira é completamente normal e uma forma de poupar nas bebidas.

Os preços nas zonas mais turísticas, especialmente em Manuel António e Monteverde, são também consideravelmente superiores aos das vilas locais. A diferença entre comer numa soda fora da rua principal e num restaurante orientado para turistas pode ser o dobro pelo mesmo tipo de refeição.

Nos restaurantes, há que ter em atenção os impostos (13%) e o serviço (10%). às vezes estão incluídos, às vezes não estão, e isto tem obviamente impacto no preço final.

A nível de alojamento consegui uma média de ~42 €/noite/pessoa, com pequeno-almoço incluído. Houve uma variação grande de preços, desde 20 €/noite em San José a 65 €/noite em Matapalo, mas isto por gestão do orçamento na minha viagem. Tínhamos um objetivo de 50€/noite/pessoa, por isso equilibramos hóteis mais baratos com outros melhores, consoante a experiência que queríamos ter em cada local. Podes ver o detalhe completo no artigo do roteiro.

O preço das atividades

Esta foi a categoria que mais me assustou durante a pesquisa. Parecia que ia ter de pagar para fazer absolutamente tudo, e os preços das atividades turísticas na Costa Rica são mesmo altos. Facilmente se gasta 50–100 € por pessoa num único dia se escolhermos todas as atividades que estão à disposição.

Felizmente, percebemos que a realidade no terreno é diferente. Há muito mais opções gratuitas (ou quase) do que os blogues que tinha lido fazem transparecer. Alguns exemplos do que fizemos sem gastar praticamente nada:

  • El Salto (La Fortuna) – rio local com corda para saltar para a água. Gratuito, com uma propina de 2€ (valor definido por nós) para o arrumador
  • Rio Quente Tabacón (La Fortuna) – rio de água quente natural. Gratuito, apenas 10€ de estacionamento (aqui o arrumador disse exatamente que o pagamento seria de 5000 colones)
  • Trilhos em Monteverde – fizemos dois trilhos marcados no AllTrails dentro de propriedades de hotéis, completamente gratuitos
  • Parque Nacional de Cahuita – entrada por donativo, pagámos 2€

No final dos 15 dias, as atividades ficaram por 200 € por pessoa o que, para o destino, é bastante razoável. A chave é escolher bem: para cada atividade cara há uma alternativa gratuita que muitas vezes é igualmente boa. O El Salto a 2€ foi uma das melhores experiências da viagem. A cascata La Fortuna a 17€ foi o pior custo/benefício.

Fizemos tudo o que quisemos dentro do pago – entrada em reservas e parques, percurso de pontes suspensas, snorkling, termas – e encontramos tesouros escondidos quase gratuitos para equilibrar,

A minha estratégia: cartão Trade Republic + um único levantamento

Fui sem dinheiro de Portugal. Não troquei euros em colones nem em dólares antes de embarcar nem imediatamente à chegada. Trocar dinheiro em Portugal ou no aeroporto implicaria taxas e câmbios desfavoráveis, e não havia necessidade disso.

Durante os 15 dias, usei o cartão Trade Republic para a grande maioria dos pagamentos, e fiz apenas um levantamento ao longo de toda a viagem.

Posso usar cartão na Costa Rica?

Sim! Mesmo nos locais mais isolados, se existe um serviço, existe um terminal MB contactless. A Costa Rica está bastante desenvolvida em termos de pagamentos digitais: a maioria dos restaurantes, alojamentos, supermercados e atividades aceita cartão sem qualquer problema.

Por este motivo, paguei com o cartão TR praticamente tudo, e cada transação converteu os colones para euros ao câmbio real do momento – sem comissões nem taxas.

Como explico neste artigo, o câmbio aplicado pela Trade Republic é o câmbio real de mercado, confirmável diretamente na app: aparecem sempre os dois valores (euros e moeda local) e a taxa usada. Para além do câmbio justo, há outras vantagens na utilização do cartão:

Quando é mesmo preciso dinheiro em notas na Costa Rica?

Houve um alojamento que exigia pagamento em dinheiro, em colones ou dólares. Isto estava nas condições do alojamento e foi lembrado por mensagem uns dias antes do check-in, por isso já sabia que eventualmente teria de levantar esse valor.

Optei por levantar 150.000 colones (275€) numa caixa multibanco local, em Cahuita. O TR permite levantamentos gratuitos em ATMs de todo o mundo desde que o valor seja superior a 100€ (se for inferior, a comissão é de 1€ por levantamento), por isso não tive qualquer custo.

Por curiosidade, no momento do levantamento fui ao Google ver a conversão do dinheiro levantado: foi exatamente igual àquele que saiu da minha conta da Trade Republic, ao cêntimo.

O restante dinheiro em notas serviu para as situações que, na Costa Rica, só funcionam com dinheiro físico:

  • Propinas para arrumadores de estacionamentos improvisados junto a atividades (1.000-5.000 CRC, praticamente 2–4 €)
  • Portagens – algumas estradas nacionais têm portagens que só aceitam dinheiro. Aprendemos isso da pior maneira logo no primeiro dia, quando passámos uma sem ter um cêntimo em notas 😅 (Spoiler: um senhor que estava ali ao lado pagou por nós. Costa Rica 1, nós 0.)
  • Entradas em parques por donativo – o Parque de Cahuita, por exemplo, tem entrada “livre” mas por donativo de 1.000 colones por pessoa em notas
  • Cocos e fruta na beira da estrada – dispensável, mas obrigatório ter o dinheiro se for algo que se queira experimentar.

No final da viagem, sobraram apenas 1000 colones, que ofereci à minha irmã de recordação. No último dia conseguimos gerir isto, fazendo um abastecimento de combustível com o valor que ainda tínhamos em dinheiro.

Colones ou dólares na Costa Rica?

Apesar de em todo o lado aceitarem dólares, optámos por fazer o levantamento em colones. A verdade é que todos os locais que aceitam dólares, aceitam colones, e não tínhamos a certeza de o inverso ser verdade. Além disso, as notas são muito mais giras!

O que não fazer

Trocar dinheiro no aeroporto. As casas de câmbio dos aeroportos têm sempre câmbios péssimos. Além disto, não é mesmo necessário: os ATMs locais funcionam bem e o cartão serve para quase tudo.

Levar dinheiro trocado de Portugal. Pelo mesmo motivo. Qualquer casa de câmbio em Portugal vai aplicar uma margem que não existe se levantarmos diretamente no destino com o cartão TR.

Depender só de dinheiro. Não há necessidade de andar a carregar imenso dinheiro. O cartão funciona em praticamente todo o lado, e assim ainda se consegue o saveback em cada pagamento.


Perguntas frequentes sobre dinheiro na Costa Rica (FAQ)

Posso usar cartão de débito na Costa Rica?

Sim, na grande maioria dos estabelecimentos. Restaurantes, supermercados, alojamentos e atividades turísticas aceitam cartão. É conveniente ter algum dinheiro em notas para propinas, portagens e situações pontuais.

Preciso de colones ou dólares na Costa Rica?

Ambos são aceites, e é possível levantar qualquer um deles em qualquer ATM.

Há ATMs na Costa Rica?

Sim, nas vilas e cidades há caixas multibanco. Em zonas muito rurais pode ser mais difícil, por isso convém levantar com antecedência se soubermos que vamos ficar longe de uma vila.

Quanto dinheiro em notas preciso para a Costa Rica?

Depende do roteiro, mas para 15 dias fiz um único levantamento de 275 €, que incluiu o pagamento de uma estadia de ~200€ e ainda sobrou. Para propinas, portagens e pequenas compras, 50–80 € são mais do que suficientes.


Conclusão

A gestão do dinheiro na Costa Rica é mais simples do que pode parecer à primeira vista. Não há que ter receios de ficar sem dinheiro, não conseguir trocar ou pagar uma fortuna em comissões, porque a realidade é bem mais tranquila do que isso.

Pode usar-se cartão para praticamente tudo, e levantar localmente em ATM, sem comissões, o dinheiro que se quiser ter para as excepções que se possam encontrar.

Se ainda não tens conta na Trade Republic, podes abrir aqui*. E se tiveres dúvidas sobre a viagem em si, o roteiro completo com todos os custos está aqui.

Boas viagens!

Este artigo é patrocinado pela Trade Republic.

Disclaimer: A autora do blog Dama de Ouros não fornece recomendações ou aconselhamento financeiro. Todo o conteúdo presente neste blog tem apenas fins informativos e educacionais, sendo qualquer decisão de investimento da responsabilidade do leitor. É um diário de bordo da sua própria jornada para a independência financeira.

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