FTSE Global All-Cap: o novo ETF da Vanguard

Enquanto estava de férias, a Vanguard lançou três ETFs globais novos: o FTSE Global All-Cap, o FTSE Global Small-Cap e o FTSE All-World ex-U.S. Vamos explorar um bocadinho cada um deles e como se comparam com o querido VWCE, que é um dos favoritos dos investidores preguiçosos da jornada FIRE (eu incluída!).

Todo o mundo, num ETF

O ETF FTSE Global All-Cap – VGLA – segue o índice FTSE Global All-Cap, que inclui empresas grandes, médias e pequenas de todo o mundo. Segundo dados do justETF, o fundo detém atualmente mais de 10 mil posições, com réplica física por amostragem. Isto significa que o fundo poderá não ter exatamente todas as posições do índice, mas a amostra escolhida é relevante e garante que os resultados são praticamente os mesmos.

Está disponível na versão acumulativa, com o ticker VGLA, e versão distributiva, com o ticker VGLD.

A novidade face ao VWCE é precisamente a adição das small-caps, pequenas empresas. A vantagem de adicionar esta sub-classe de ativos é aumentar a diversificação. As small-caps movem-se de forma diferente das grandes empresas. Há períodos em que umas estagnam e as outras compensam, e vice-versa, e vimos recentemente que adicionar esta diversificação dentro das ações tem grandes vantagens no sucesso de uma reforma antecipada:

  • O estudo mais recente de William Bengen, que explorámos neste artigo, demonstra precisamente que a adição de mid, smal e micro caps, além de exposição internacional, permitiu aumentar a taxa de retirada mínima de 4 para 4,7%.

Há vantagem em comprar logo no início? Há vantagem em esperar?

Quando novas empresas são tornadas públicas, em IPO, estas perguntas fazem todo o sentido. Na entrada de uma empresa em bolsa existe um número fixo de ações, uma avaliação que foi feita, e o preço pode disparar no primeiro dia se a procura for maior que a oferta. Um ETF não funciona assim.

Os ativos que estão incluídos no fundo já existem, não há número “fixo” de unidades que faça o preço subir ou descer artificialmente. O preço de cada unidade de participação reflete sempre, de forma muito próxima, o valor dos ativos que o fundo detém em cada momento (NAV). Ou seja: comprar no dia do lançamento ou comprar daqui a um ano não concede vantagem ou desvantagem nenhuma a nível de preço. Pagaremos sempre o valor atual do cabaz que cada ETF representa.

Mas será melhor esperar que tenha histórico?

Se este índice faz mais sentido para os nossos objetivos, também não há grande vantagem em esperar que o ETF tenha “histórico”. É verdade que este ETF em concreto, como produto, só existe desde 18 de agosto de 2026. Mas também é verdade que o índice que ele replica, em princípio de forma muito fiel, já foi definido pela FTSE Russel há vários anos.

Isto significa que, se quisermos mesmo saber o histórico, conseguimo-lo vendo precisamente o desempenho passado dos índices que os ETF replicam.

Fonte: FTSE Russel, 31 Julho 2026

Como em todos os investimentos: rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros, nem do índice nem das empresas que o compõem. A motivação para escolher este ETF vem de diversificação: se quero ter todas as empresas do mercado, então este serve melhor o meu propósito.

Em que difere do VWCE

O VWCE segue o índice FTSE All-World, que inclui cerca de 4 200 ações grandes e médias cobre cerca de 90% da capitalização do mercado global. A 28 de julho de 2026, a comissão do VWCE desceu de 0,19% para 0,14%.

O Global All-Cap vai ainda mais longe na diversificação, porque acrescenta small caps ao cabaz. Cobre assim ~98% do mercado, porque ainda permanecem de fora as micro caps. A TER é a mais baixa que se consegue encontrar: 0,07%.

As principais características deste novo ETF face ao VWCE são apresentadas na tabela abaixo:

ETFVGLAVWCE
ÍndiceFTSE Global All CapFTSE All World
TER0,07%0,14%
Tipo de replicaçãoFísica por amostragemFísica por amostragem
Nº empresas 10 0173758

Apesar de todas as claras vantagens, tanto em custos como em diversificação, estas diferenças não justificam ir a correr vender posições de VWCE para comprar a opção mais recente.

  • o desperdício em impostos seria enorme
  • as semelhanças são maiores que as diferenças
comparação vgla vs vece

Agora, será que faria sentido passar a comprar este ETF, em vez do VWCE? Se estivesse na fase de acumulação, para mim sim, faria. Mais diversificação a menor preço? Sim, por favor!

Os outros dois ETF lançados

Como disse inicialmente, foram lançados 3 novos ETF pela Vanguard.

Vanguard FTSE Global Small-Cap UCITS ETF VGSA. Este ETF foca-se em exclusivo nas empresas mais pequenas do mercado global, que costumam pesar pouco nos índices tradicionais dominados pelas grandes tecnológicas. A TER é mais alta que nos anteriores, de 0,22%. Pode fazer sentido para quem quer uma percentagem específica de small caps na sua carteira.

Vanguard FTSE All-World ex-U.S. UCITS ETF VXUS. Cobre empresas grandes e médias excluindo os EUA, com uma TER de 0,12%. Este é para quem quer controlar a exposição ao mercado americano. Como vimos anteriormente, nos ETF mundiais os EUA representam mais de metade do índice e este fundo é uma boa forma de o reduzir.

distribuição geográfica vxus
Distribuição geográfica VXUS

E o volume?

No artigo “como escolher ETF“, um dos indicadores que apontava como relevantes era precisamente o volume de negociação do fundo.

Os ETF referidos neste artigo são super recentes (nem duas semanas têm),e por isso o património gerido ainda é também pequeno. A versão acumulativa do Global All-Cap tem cerca de 171 milhões sob gestão, muito longe dos quase 80 mil milhões do VWCE.

Neste caso específico, o baixo volume não me preocupa. A razão é óbvia (foi lançado há apenas umas semanas) e tem um dos maiores gestores por trás: a Vanguard.

Resumo e conclusão

O Vanguard FTSE Global All-Cap é uma nova opção para quem procura diversificação: mais barato que o VWCE e cobre mais mercado.

Não é tão revolucionário que justifique ir vender o que se tem para o comprar, mas é mais uma boa opção a considerar daqui em diante, para máxima simplificação e diversificação.

Qual a tua opinião sobre este ETF?


Perguntas Frequentes

O Vanguard FTSE Global All-Cap substitui o VWCE?

Não. São ETF que seguem índices diferentes e podem ser melhores ou piores dependendo do objetivo. O VWCE cobre empresas grandes e médias; o Global All-Cap acrescenta small caps e tem uma comissão mais baixa (0,07% vs. 0,14%).

Vale a pena comprar assim que o ETF é lançado, antes que suba?

Não. Ao contrário de uma IPO, um ETF é um fundo aberto: cria e resgata unidades consoante a procura, sem número fixo de posições. O preço reflete sempre o valor dos ativos subjacentes, hoje ou daqui a um ano.

Um ETF recém-lançado não tem histórico. Isso é um problema?

O produto é novo, mas o fornecedor, o índice e as empresas que o compõem não são. É possível saber o histórico, mas lembro que rentabilidade passada nunca é garantia de resultados futuros.

Qual é a vantagem de ter small caps na carteira?

Historicamente, small e large caps têm comportamentos opostos: quando umas sobem as outras estagnam ou descem. Esta diversificação pode ajudar a reduzir volatilidade e optimizar rentabilidades.

Disclaimer: A autora do blogue Dama de Ouros não fornece recomendações ou aconselhamento financeiro. Todo o conteúdo presente neste blogue tem apenas fins informativos e educacionais, sendo qualquer decisão de investimento da responsabilidade do leitor. Faz a tua própria análise antes de avançar.

2 thoughts on “FTSE Global All-Cap: o novo ETF da Vanguard

  1. Qual a rentabilidade média do indice do vgla?
    Pelo que vi em princípio é semelhante ao vwce não é ? (mas temos então a vantagem do TER superior e maior diversificação – em princípio permite menos volatilidade da carteira na fase fire, mesmo que a rentabilidade média seja semelhante)

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