Eu adoro optimização! Foi esse gosto que me permitiu acelerar a jornada FIRE, que me fez abrir empresa quando percebi que estava a pagar impostos a mais como trabalhadora independente, e que me faz agora, nesta fase do meu FIRE Flamingo, continuar a equilibrar despesas e rendimentos, sempre com o objetivo de maximizar liberdade e tempo.
A Coverflex* é, neste momento, um dos maiores trunfos nesta minha missão, na gestão da empresa. Uso desde o primeiro mês, e acredito mesmo que vale a pena partilhar a minha experiência: porque permite poupanças incríveis e porque, pelo que me apercebi, ainda existe muito desconhecimento e muitas pessoas e empresas a deixar dinheiro na mesa.
Neste artigo, partilho um bocadinho deste mundo do sistema de benefícios extrassalariais, com foco no PPR pago pelo empregador, porque acaba por ser o mais interessante para quem está nesta jornada para o FIRE. Este artigo foi produzido em parceria com a Coverflex.
O problema com o aumento de salários em Portugal
Em Portugal, a forma óbvia de uma empresa compensar um colaborador é através do aumento do salário. Infelizmente, é também a forma mais penalizadora para todas as partes. É frustrante, tanto para a empresa como para o colaborador, perceber que um aumento bruto de 100€, não se traduz, nem de perto nem de longe, no mesmo benefício para quem o recebe, ou no mesmo custo para quem o paga.
Cada euro de salário adicional está sujeito a TSU (Taxa Social Única) de 23,75% do lado da empresa, e a desconto de Segurança Social de 11%, mais IRS do lado do colaborador.
No artigo sobre a abertura da empresa, partilhei a simulação de custos da minha situação no segundo semestre de 2025. No meu caso, passei de pagar 48% da faturação em obrigações fiscais como trabalhadora independente para uma taxa bem mais simpática como empresa.
A mesma lógica aplica-se à compensação de todos os colaboradores: há formas legais e regulamentadas, ainda pouco exploradas por muitas empresas, que permitem dar mais valor líquido a quem trabalha numa empresa, com o mesmo (ou até menor!) custo para a empresa.
Benefícios extrassalariais e as suas vantagens
Benefícios extrassalariais são formas de compensação que não passam pelo salário base. Incluem subsídio de alimentação, seguro de saúde, passes de transporte, PPR e até despesas de educação.
A grande vantagem é fiscal: todas as categorias de benefícios são isentas de TSU (os 23,75% que a empresa paga), e várias são também isentas de Segurança Social e IRS do lado do colaborador.
É um cenário win-win para ambas as partes:
- A empresa poupa no custo de dar o benefício;
- O colaborador recebe o valor inteiro, sem descontos de SS, e, em alguns casos, IRS.
O sistema fiscal português incentiva estas formas de compensação, e faz todo o sentido aproveitá-las ao máximo. No meu caso concreto, trabalho na minha própria empresa com salário baixo e complemento com benefícios extrassalariais:
- Subsídio de alimentação em cartão: 10,46€/dia – o máximo isento de SS e IRS
- Passe de transportes públicos: 40€/mês, isento de SS e IRS
- Seguro de saúde: isento de SS e IRS
- PPR: isento de SS
Para mim, que não conto com a Segurança Social para a reforma, porque já tenho o meu portefólio de investimentos a trabalhar para isso, descontar mais para a Segurança Social não me traz grandes vantagens. Mesmo para quem ainda não tem o FIRE assegurado, na maioria dos casos ficamos melhor servidos a investir e preparar o longo prazo sozinhos do que a contar com esse apoio (demonstrado no artigo abaixo).
Como funciona na prática: a plataforma Coverflex
A Coverflex* é uma plataforma portuguesa que centraliza toda a gestão de benefícios, tanto para a empresa como para o colaborador, numa única app e num único cartão Visa.
Do lado da empresa, configura-se o pacote de benefícios para cada colaborador: qual o orçamento mensal e quais as políticas de aprovação. O saldo é carregado por transferência bancária e distribuído, dentro da aplicação, pelos vários colaboradores.
Do lado do colaborador, há três formas de usar o saldo:
Reembolso pela app: quando não é possível pagar por cartão, tira-se foto à fatura, submete-se na app e aguarda-se aprovação. Após confirmação, o valor é-nos enviado por transferência para a conta bancária pessoal em 48h. Algumas categorias só funcionam por esta via, como é o caso de formação profissional e transportes públicos.
Cartão Coverflex (rede Visa): pagar diretamente, online ou presencialmente, em qualquer estabelecimento que aceite Visa e que corresponda à categoria do benefício. Neste caso, a despesa é reconhecida automaticamente pelo CAE do estabelecimento.
Via app: para benefícios que são geridos diretamente na app, sem necessidade de pagamento com cartão nem reembolso. Isto inclui, por exemplo, a subscrição de PPR ou a utilização de benefícios como o vale infância. Nestes casos, basta selecionar o benefício na aplicação e seguir os passos indicados, e o valor é utilizado diretamente a partir do saldo disponível.

Funcionalidade incrível que só descobri na entrevista à Inês Odila, Country Manager da Coverflex em Portugal: podemos fazer a submissão de faturas por WhatsApp, enviando diretamente a foto da fatura, sem precisar de fazer mais nada.
Tenho a experiência de utilização de ambos os lados, empresa e colaborador, e posso dizer que é simples e intuitivo para ambas as partes. A submissão de despesas é simples, a aprovação também. Fica tudo automaticamente registado, sem papelada e, para a empresa, os relatórios de contabilidade ficam disponíveis automaticamente.
PPR pago pelo empregador
Para quem está no caminho FIRE, o benefício mais interessante é o PPR pago pelo empregador, que é isento de Segurança Social. Este tipo de compensação permite redirecionar parte da compensação diretamente para investimento, com menor carga fiscal associada.
Como funciona
A empresa atribui um orçamento de benefícios e o colaborador pode optar por usar esse saldo para subscrever um PPR diretamente pela app Coverflex, sem precisar de movimentar dinheiro da conta bancária pessoal, de forma bastante simples e intuitiva.
Quando já existe um PPR noutra instituição, também é possível usar o saldo no formato de reembolso: fazemos o investimento, submetemos a fatura na app, e o valor é enviado para a nossa conta bancária pessoal. Isto implica adiantar dinheiro nosso, que só é reembolsado mais tarde, enquanto se escolhermos uma das 3 opções disponíveis na app podemos investir assim que o pagamento do salário mensal é feito.

O impacto em números
Gosto sempre de dar exemplos com números reais, para se ver bem o impacto. Imaginemos uma empresa que tem a possibilidade de gastar 100€ extra com cada colaborador:
| Salário | PPR (benefício) | |
|---|---|---|
| Orçamento da empresa | 100,00€ | 100,00€ |
| Salário / benefício bruto atribuído | 80,81€ | 100,00€ |
| TSU paga pela empresa (23,75%) | 19,19€ | 0,00€ |
| Desconto SS do colaborador (11%) | 8,89€ | 0,00€ |
| Retenção de IRS (estimativa 25%) | 20,20€ | 25,00€ |
| Valor líquido para o colaborador | 51,72€ | 75,00€ |
Recebendo o aumento no salário, o colaborador perde quase metade do valor para impostos e contribuições de SS. Optando por dar o aumento via PPR, o valor passa a estar isento de Segurança Social, mantendo apenas a tributação em IRS. São 23€ de diferença na remuneração real do colaborador por cada 100€, com o mesmo custo para a empresa.
“Mas a minha empresa não considera esta opção”
Eu ajudo! Nestas questões, os argumentos escrevem-se sozinhos, basta mostrar números. Deixo abaixo alguns exemplos, para poderes encaminhar o artigo para os RH 😜
- Para uma empresa com 250 colaboradores, com uma média de 1500€/ano de benefícios por pessoa, a poupança em TSU é de 89 062€ por ano.
- Com 10 colaboradores e os tais 1500€/ano de benefícios, são cerca de 3.600€ poupados.
Funcionou? Depois conta, quero saber 😁
PPR disponíveis na Coverflex
A Coverflex* tem parcerias com várias entidades, que cobrem diferentes perfis de risco:
| Produto | Parceiro | Perfil de risco | O que deves saber |
|---|---|---|---|
| PPR Save&Grow | Casa de Investimentos | Alto (>90% ações) | Retorno médio histórico ~12%/ano. Para horizonte longo e tolerância a volatilidade. |
| PPR Real Vida Digital | Real Vida Seguros | Baixo (capital garantido) | Retorno variável, mínimo 0,25% (último ano ~3%). |
| Produtos Optimize | Optimize | Variável | Diferentes opções consoante perfil de risco, escolhidos dentro da plataforma da Optimize. |
Existe também a opção de subscrever o Real Grupo Aberto, um seguro de capitalização gerido pela Real Vida Seguros. Na prática, isto implica algumas diferenças principalmente a nível fiscal e de flexibilidade. Ao contrário dos PPR, seguros de capitalização não tem benefício em sede de IRS: não há deduções nas entregas nem tributação favorável no resgate. Em termos de flexibilidade: permite acesso ao valor acumulado com mais liberdade do que um PPR tradicional. A contrapartida é que existe uma taxa de 1,75% por cada contribuição.
Ter um PPR faz parte do meu plano FIRE, e acredito que podem e devem coexistir. O meu objetivo é investir neste ativo o suficiente para ter o máximo benefício fiscal, e este benefício da empresa ajuda-me a garantir que este objetivo é cumprido sem esforço adicional de poupança da minha parte.
Partilhei a minha análise e escolha para 2025 neste artigo. Entretanto, em 2026, já fiz novos reforços com os benefícios que a minha entidade patronal gentilmente me cedeu. Obrigada, Dama de Ouros 🫶 ahah
O subsídio de alimentação: o básico que pode ser ignorado
Apesar de o subsídio de alimentação não ser obrigatório por lei, é um benefício que faz todo o sentido considerar quando se quer oferecer um pacote de remuneração atrativo, pelos benefícios fiscais que traz a ambas as partes.
Quando pago em dinheiro, o valor é isento de IRS e SS até 6,15€ por dia útil. Se pago em cartão refeição, esse limite sobe para 10,46€/dia. Isto significa que, num mês com 22 dias úteis, se pode oferecer em cartão refeição uma remuneração de 230€ totalmente isentos de impostos.
Na parte da “Alimentação”, a Coverflex funciona com cartão Visa, que é válido em toda a rede. Isto significa que pode ser usado em restaurantes, supermercados e plataformas de entrega como a Glovo ou a Uber Eats, tanto presencialmente como online. Pode ser usado cartão físico, ou adicionado à wallet do telemóvel, para pagamentos sem contacto.
Os outros benefícios que valem a pena conhecer
O PPR e o subsídio de alimentação são os benefícios mais óbvios, mas há muito mais para explorar. Abaixo deixo um resumo rápido das categorias disponíveis na Coverflex*:
Isentos de SS e IRS
- Formação profissional – MBAs, pós-graduações, cursos de línguas ou formações técnicas, uma vez que esta categoria é considerada uma despesa profissional. Funciona por reembolso e a fatura tem de ter os dados fiscais da empresa. Para quem investe na própria formação, é uma forma de ter a empresa a subsidiar esse investimento de forma eficiente e centralizada.
- Transportes públicos – reembolso do passe social mensal. Funciona também por reembolso, e é um dos que comecei a utilizar assim que abri empresa. Além das isenções de SS e IRS, ainda tem majoração no IRC (mais um benefício para a empresa).
- Coverflex Infância – pagamento de creches e jardins de infância para crianças até 7 anos.
- Tecnologia para uso profissional – a empresa pode definir um budget para ser usado em equipamento destinado exclusivamente ao trabalho. Funciona por reembolso e a fatura tem de ter os dados da empresa.
- Mobilidade – criação de vales de mobilidade na app, ativados na app da Bolt, aplicável a deslocações profissionais.
- Seguro de saúde – é possível adicionar família ao seguro da empresa ou fazer upgrade do plano, pago com saldo de benefícios.
Isentos de SS (mas não de IRS)
- Saúde e bem-estar – hospitais, clínicas, farmácias, fisioterapia, ou psicologia.
- Ginásio e fitness – ginásios, clubes desportivos, personal trainers e aulas online.
- Despesas de educação – propinas, material escolar, livros técnicos.
- Poupança e reforma – onde se encaixa o PPR, já descrito anteriormente.
- Despesas sénior – centros de dia, lares, residências sénior. Útil para quem tem pais ou avós a cargo.
Utilização de benefícios em Portugal
A Coverflex publica anualmente o estudo “O Estado da Compensação em Portugal 2026“, e os números revelam um grande problema: 67% dos colaboradores já têm acesso a benefícios flexíveis, mas apenas ~36% está satisfeito com a oferta disponível. Isto significa, por um lado, que há margem para aumentar a adesão, e, por outro, um grande caminho para optimizar a utilização dos mesmos.
Ainda há muito desconhecimento. Muitos colaboradores têm benefícios disponíveis e não os usam porque não perceberam bem como funcionam; muitas empresas poderiam atrair e reter talento e poupar milhares de euros em impostos, e não implementaram porque nunca ninguém explicou que também podem ganhar com isso.
Isto é só para grandes empresas?
Não! Como já vimos antes, para grandes empresas a poupança pode ascender às dezenas de milhares de euros. No entanto, faz sentido até para empresas apenas com uma pessoa.

Eu tenho uma empresa apenas com um funcionário, e desde novembro (apenas 4 meses), poupei 1088€ em benefícios fiscais. 628€ do lado da empresa e 460€ enquanto colaboradora.
O custo é fixo por colaborador e depende do plano escolhido e da modalidade de pagamento. No meu caso, para as opções que escolhi, o custo é de 80€/ano, e foi recuperado no primeiro mês de utilização.
Como avançar
Se és colaborador e a tua empresa não tem nenhuma plataforma de benefícios extrassalariais, o argumento para levar ao RH é este: a empresa também poupa. A TSU de 23,75% que a empresa não paga em benefícios é dinheiro que fica na empresa. Pede o próximo aumento salarial em benefícios, ficam todos a ganhar!
Se és empresário, então acho que não há muito a pensar. É implementar o quanto antes, porque a poupança começa desde o primeiro dia de utilização. Não é o meu caso, porque neste momento não tenho funcionários, mas a verdade é que, para além da poupança fiscal, os benefícios flexíveis têm impacto directo na retenção e atracção de talento, sem aumentar o custo fixo.
Podes explorar em coverflex.com. Se usares este link* para registar a tua empresa, recebemos ambos 100€ de bónus.
Perguntas frequentes
Cada categoria tem as suas regras. A isenção do subsídio de alimentação em cartão tem o limite de 10,46€/dia. Outras categorias não têm um limite fixo explícito, mas devem corresponder a despesas reais e documentadas. O melhor é validar com um contabilista para a situação específica.
Na Coverflex, a empresa oferece um pacote amplo de benefícios a todos os colaboradores, e cada um poderá escolher onde gastar a sua compensação, consoante as suas necessidades.
O saldo de benefícios pode ser usado em formato de reembolso para qualquer PPR do mercado português, basta submeter a fatura na app.
Depende da política da empresa. O ideal é validar com os RH.
Sim, em várias categorias: saúde e bem-estar, educação, infância, despesas sénior. As faturas devem incluir o NIF do próprio (seguir instruções dos RH).
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Este artigo foi produzido em parceria com a Coverflex. O conteúdo reflete a minha perspetiva honesta sobre o tema. Uso a plataforma na minha própria empresa e os números partilhados são reais.
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Disclaimer: A autora do blog Dama de Ouros não fornece recomendações de investimento ou aconselhamento financeiro. Todo o conteúdo presente neste blog tem apenas fins informativos e educacionais, sendo qualquer decisão da responsabilidade do leitor.