Juros TANB da Trade Republic em 2025: retorno real vs inflação

Nos últimos meses, uma das perguntas que mais recebo é esta:

É natural que, quando olhamos para números, pensemos: quanto maior a taxa, melhor. Mas a verdade é que não é assim tão simples.

A Trade Republic paga atualmente 2% TANB sobre o saldo em carteira, depois de ter chegado a pagar 4% em 2023 e 2024. A resposta é menos óbvia do que parece, porque, na verdade, mudou muito pouco no resultado final desde 2024. Porquê? Porque o que realmente importa não é a taxa bruta de juro, mas sim o retorno líquido ajustado pela inflação.

O que é a TANB e como funciona na Trade Republic?

A Taxa Anual Nominal Bruta representa os juros que vamos recebendo pelo dinheiro parado na conta. Na Trade Republic:

  • Apesar de a taxa ser anual, o juro é calculado diariamente (cada dia o saldo rende um bocadinho);
  • O pagamento é feito no início de cada mês;
  • Não há montante mínimo nem prazo fixo;
  • O dinheiro está sempre disponível para ser utilizado ou levantado.

Porque é que a TANB sobe ou desce?

O Banco Central Europeu (BCE) gere as taxas de juro de modo a controlar a inflação:

  • Quando a inflação sobe, o BCE aumenta as taxas de juro para tentar reduzir o consumo e travar a subida dos preços.
  • Quando a inflação desce, o BCE baixa as taxas para estimular a economia.

Em 2024, a TANB paga pela Trade Republic chegou a 4%. Como a Trade Republic reflete estas condições de mercado, os juros pagos aos clientes também variam. Nestas descidas consecutivas, não é “a Trade Republic a decidir pagar menos”, é simplesmente um reflexo do contexto económico europeu.

A verdade é que todos os bancos recebem esse valor pelos depósitos dos seus clientes. Alguns escolhem repassá-los aos seus clientes (como é o caso da Trade Republic), outros ficam com este rendimento para si (maioria dos bancos portugueses).

Inflação: o verdadeiro inimigo da poupança

A inflação é a subida generalizada dos preços. Se os preços sobem 2% num ano e o nosso dinheiro cresce apenas 2% em juros, na prática não ganhámos nada: o nosso poder de compra ficou igual.

Os 100€ que tínhamos são agora 102€, mas a verdade é que precisamos desse novo valor para comprar o mesmo cabaz de supermercado.

Se os juros forem menores que a inflação, perdemos dinheiro e poder de compra em termos reais, mesmo que o saldo bancário aumente. Exemplo:

  • Tenho 10 000€ guardados e recebo 200€ de juros brutos (2% TANB).
  • As despesas aumentaram 250€ (2,5 % inflação).

👉 O saldo final da conta é 10 200€, mas com esse dinheiro compro menos coisas do que no início do ano.

Retorno nominal vs retorno real: o que devemos olhar

O pormenor que muitas vezes nos escapa é que há dois tipos de retorno totalmente diferentes, consequência da rentabilidade dos produtos em que temos o nosso dinheiro e da inflação:

  • Retorno nominal → o número que os bancos anunciam (2%, 3%, 4%).
  • Retorno real → o que sobra depois de descontar inflação (e impostos, se for o caso).

É o retorno real que realmente interessa para o nosso bolso. O retorno nominal alimenta falsas ilusões e esperanças, principalmente nos produtos de capital garantido.

Retorno real

Quando a Trade Republic pagava 4% TANB, muitos sentiram que estavam finalmente a ganhar com o fundo de emergência. Mas o que acontecia ao mesmo tempo? A inflação rondava os 4%.

👉 Retorno real? Nulo. Não perdemos, mas também não ganhamos.

Atualmente, com a Trade Republic a pagar 2% TANB, em que imensas pessoas pensam que já não vale a pena para a almofadinha, temos a inflação em cerca de 2%.

👉 Retorno real? Nulo. Tal e qual como antes, nada mudou na prática.

Apesar das taxas mudarem, o que realmente aconteceu ao longo do tempo foi isto:

  • Com juros altos e inflação alta → retorno real ≈ zero.
  • Com juros baixos e inflação baixa → retorno real ≈ zero.

Lições dos últimos anos: não é só 2024 vs 2025

Isto não é novidade nem algo que só esteja a acontecer agora. Se olharmos ainda mais para trás, o padrão fica claro:

  • 2022/2023: juros quase nulos nos bancos (0,1–0,5 %) e Trade Republic a pagar ~4%, com inflação muito alta (7–8 %) → perda real significativa.
  • 2024: juros mais altos (4 %), mas também inflação alta (≈ 5 %) → retorno real ≈ 0.
  • 2025: juros mais baixos (2 %), inflação baixa (≈ 2 %) → retorno real ≈ 0.

A conclusão é simples: o número da taxa engana. O que interessa é sempre o equilíbrio entre juro e inflação.

E afinal, faz-me sentido manter a almofadinha na Trade Republic?

Sim, continua a fazer sentido, pelos mesmos motivos que me fizeram escolher este lugar quando lá a coloquei:

  • Liquidez total: posso utilizar e/ou levantar o dinheiro a qualquer momento;
  • Juros calculados diariamente: mesmo que gaste o dinheiro antes do fim do mês, o que rendeu até aí não se perde;
  • Segurança: mantém-se a proteção até 100 000 € pelo Fundo de Garantia de Depósitos alemão.
  • Simplicidade: juros pagos automaticamente todos os meses, sem burocracias.
  • Competitividade: em Portugal, muitos bancos pagam menos de 1% em depósitos a prazo tradicionais. As taxas mais simpáticas funcionam apenas por períodos limitados e para novos clientes.

Há obviamente outros motivos para manter a conta na Trade Republic, com artigos dedicados:

  • Investimento automático: simplifica o processo de investimento, retira essa tarefa mensal do pensamento;
  • Saveback de 1%: todas as compras feitas com o cartão acumulam saveback até ao máximo de 15€ por mês;
  • Cartão com câmbios justos: já usei várias vezes o cartão em férias. O saveback funciona na mesma e evita-se taxas e comissões dos cartões “normais”.

Não me canso de dizer: o papel da “almofadinha” no portefólio FIRE é proteger e dar segurança, não enriquecer. O importante é não perder demasiado para a inflação e ter o dinheiro acessível quando precisamos dele.

Conclusões gerais

  1. Não podemos olhar só para juros nominais. Precisamos de contexto macroeconómico antes de decidirmos se uma taxa é “boa” ou “má”. 4% em 2022 valeria muito menos que 2% em 2025.
  2. Inflação é a variável-chave. Em todos os investimentos, o que interessa na prática é sempre o retorno real.
  3. O fundo de emergência não serve para enriquecer. Serve para proteger e estar disponível para as alturas em que precisarmos dele.
  4. A Trade Republic continua, na minha opinião, a cumprir bem este papel. Com ou sem variação de juros, continua a oferecer liquidez, segurança e pequenas vantagens extra (saveback, automação, cartão).

FAQ

1. Vais manter o fundo de emergência na Trade Republic em 2025?
Sim. O retorno real continua semelhante ao de 2024. A diferença está só no juro nominal. As restantes funcionalidades, que adoro, permanecem.

2. Porque é que os juros da Trade Republic baixaram?
Porque o BCE reduziu as taxas de referência ao baixar a inflação. A TR apenas reflete essas condições de mercado.

3. Os juros da Trade Republic podem voltar a subir?
Sim, se a inflação subir de novo e o BCE aumentar as taxas.

4. O que é mais importante: juro nominal ou retorno real?
O retorno real. O juro nominal engana se não considerarmos inflação e impostos.

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Todos os investimentos têm risco e podes perder parte ou a totalidade do capital investido. Faz a tua própria análise e investe de forma responsável. Finanças pessoais são pessoais e é essencial tomar decisões informadas.

Este artigo é patrocinado pela Trade Republic.

10 thoughts on “Juros TANB da Trade Republic em 2025: retorno real vs inflação

  1. Olá, antes de mais obrigado pela tua partilha inspiradora da tua jornada.
    Sobre o assunto para ser uma taxa boa ou pelo menos para não perder poder de compra teriamos de aplicar o dinheiro a 3,5%/ano: 2,5%/0,72
    (Com a inflação em Portugal em Julho nos 2,5% e pagando o impostos de 28% sobre os juros.)
    É isso?

    1. Olá!

      É mais ou menos isso ahah
      Na minha opinião, a almofadinha é para estar em segurança e com liquidez. Se pudermos ganhar algo para acompanhar ou igualar a inflação, é a cereja no topo do bolo, mas não é esse o objetivo principal.
      O resto do portefólio serve para multiplicar, esta componente serve para utilizar em caso de necessidade.

      Agora, se encontrares algo que cumpra os requisitos e que pague 3,5%/ano, melhor ainda

  2. Ótimo conteúdo! Realmente ainda não tinha pensado nessa questão do retorno nominal vs retorno real, e está muito bem observado. Por acaso também tenho a minha almofadinha na TR e estou muito satisfeita e tranquila com isso. Tal como mencionas, cumpre todos os requisitos que a almofadinha deve ter e ainda temos o benefício do cash back, que no meu caso decidi alocar ao ETF VWCE. Tenho os reforços mensais automatizados, assim nunca me esqueço de efetuar DCA todos os meses nesse ativo, não pago comissões e ainda tenho “dinheiro de borla” e ser investido nesse ativo. Estou mesmo muito satisfeita com a minha opção.
    Obrigada pelo conteúdo de qualidade que nos fazes chegar através do blog, continua com o excelente trabalho. Acredita que ajudas muitas pessoas!

    1. Tirar essa tarefa do mês aumenta bastante as probabilidades de executar direitinho o DCA. Não há indecisões, dúvidas porque está caro ou barato: sai na conta no dia combinado e siga, nem temos de pensar nisso.
      Obrigada pelo teu feedback!

  3. Algumas questões se não te importares 🙂

    Já não me recordo sinceramente, mas tens apenas o cartão TR virtual? Para teres acesso ao 1% do saveback usas via Google/Apple Pay? Alguma vez tiveste algum problema? Especialmente no estrangeiro?

    Nas férias usei um cartão PT e tive vários problemas em alguns terminais, é sempre incómodo, as pessoas devem pensar que não temos saldo 😀

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